... Justine ...

Partindo de um estudo profundo da obra do marquês de Sade, e de um resgate crítico das montagens de "A Filosofia na Alcova" e "Os 120 Dias de Sodoma", Os Satyros se propuseram a realizar a montagem de "Justine", concluindo, assim, a Trilogia Libertina.
Para a realização de "Justine", a companhia trabalhou por mais de nove meses com uma equipe de mais de trinta pessoas, dentro dos procedimentos críticos do chamado Teatro Veloz, método de trabalho desenvolvido pela companhia, em todas as etapas do processo criativo, resultando na montagem atual.

Justine, personagem constante nos textos de Marquês de Sade, é a personificação do puritanismo, dos bons modos e da caridade, sendo caracterizada pela ingenuidade perante a sociedade cruel e depravada, retratada por Sade em suas obras. Justine é a contraposição de Juliette, irmã e antagonista da história, que se envolve em depravações, crimes e perversões.

Nas palavras de Contador Borges, poeta, ensaísta e tradutor de "A Filosofia na Alcova" no Brasil, “Os Satyros mais uma vez têm a ousadia de encarar Sade de frente. Primeiro veio a concepção cênica de "A Filosofia na Alcova" e suas sucessivas belas montagens, desde os anos noventa até hoje. Em seguida o evento não menos audacioso de verter para o palco as aberrações fantásticas de "Os 120 dias de Sodoma". Agora é a vez de "Justine". Enfim, suspiramos, a vítima têm a chance de mostrar a que veio, que o seu não de recusa é no fundo um dispositivo para a afirmação do libertino, adepto cego dos prazeres triunfais do individuo”.

(http://satyros.uol.com.br/noticia.asp?id_destaque=20)

Preste atenção:

...na brincadeira de mãos entre as irmãs Justine e Juliette (Andressa Cabral e Erika Forlim). É muito pertinente a apropriação de um jogo infantil para dar leveza à narrativa da gênese das personagens.
...no criado (Robson Catalunha), que "testa" a virgindade de Juliette quando ela pede abrigo num bordel. Concebido e interpretado de forma não realista, entre o grotesco e o cômico, é figura de aparição relâmpago, mas inesquecível.
...na "fila" que se forma no cabaré, com a entrada em atividade da "virgem" Juliette. No bordel, seu olhar será atraído pelas cenas que ocorrem numa cabine vermelha, mas não deixe de observar essa "fila". É um dos bons momentos, entre outros, como nas cenas de julgamento, em que o "coro" torna-se extremamente expressivo graças à criatividade com que se estrutura sua atuação.
...no nome do patrão sovina de Justine, clara citação de Sade ao protagonista Harpagon da peça O Avarento, de Molière. Referência que não passou despercebida ao diretor e aos atores. Em todas as cenas do casal de sovinas, a linguagem, dos figurinos às interpretações, remete à estética à Commedia Dell"Arte, fonte de inspiração de Molière.
...no recurso simples, uma touca de pano, cuja utilização resulta num interessante efeito para expressar a forma como Justine é obrigada a de desdobrar para dar conta do trabalho excessivo na casa do patrão sovina.
...no uso de um recurso do 'cinema mudo', resultando em um tom de comicidade e humor ingênuo, para alcançar um resultado cortantemente irônico.




Escrito por Sábia srta Almodovariana às 18h05
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FEDRO
ah! vamos phalar, invocando Éros
em todos nossos quÉros.
Pra que hinos, cantos, falas
a tantos deuses malas?!
Dollars, Euros, ONUs, ONGs, Dohas, Pradas
e a Eros, Nadas?
Amor nosso Rei
nunca
as letras da Lei
as constituições
as Repúblicas Hipócritas, Pudícas
deixam-se penetrar por Eróticas dicas
sacrificam-se escravas,
à Ares, na Guerra
nunca à Guerra do Amor:
futebol, com a bola Terra.
Amor, Guerra da Paz Progresso
Eterno Retorno,
na evolução do processo.
Eros, deus todo Phoderoso, ordena: Folía!
no Globo, teu tambor, com ou sem harmonia
já domina em sintonía,
da meia noite, ao meio dia!




Escrito por Sábia srta Almodovariana às 17h19
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Final de Semana para 'beber θέατρο'

Vou começar por ontem, domingo, dia 28, porque está mais fresquinho... Sem muitas programações (e quase sem ao mesmo ir, pq bateu uma preguicinha de final de tarde de inverno) chegamos, eu e o Fábio, ao Teatro Oficina, por volta das 18:30... A peça começaria as 19 horas, mas como já conheço o esquema, sempre tem um atrasinho. Estávamos empolgados (apesar do frio, vencemos a preguiça), pois no dia anterior assistimos "Justine", d'Os Satyros, e queríamos experimentar a sensação de um dia assistir a uma peça d'Os Satyros e em menos de 24 horas, assistir a uma peça do Oficina. Ingressos na mão e iríamos conseguir o feito: nos embebedar de teatro, ou θέατρο.

Evoé Baco!!! EvoEros!!!

~~~~~

(José Celso Martinez Corrêa - Notas de direção, de produção e divulgação – 19 de junho de 2009)

A Montagem de “O Banquete” de Sócrates & Platão vem da necessidade de apreendermos com os antigos a superar a abstração do diálogo público em nossos encontros, assembléías políticas, artísticas, em plena agonia histórica, camuflada numa linguagem fundamentalista burocrática tipo “a nível de”, “questão de ordem”, “Vossa Excelência”, etc…, sempre carregadas de ressentimento, reclamação, chororô, competições, egolatrias.

Na noite da festa dos 50 anos do Oficina o vinho foi servido fartamente mas depois de algum tempo muitos virados vinho-avinagrado encapacitaram-se para ouvir, música, versos das peças, fechando-se nun narcisismo boçal bêbado.
Senti que tínhamos de aprender como os gregos conseguiam em seus banquetes, entregarem-se aos prazeres do encontro, com amor erótico pela conversa, beleza soando verdade poética, bebendo o vinho sagrado de Dionisios, com sensualidade, delicadeza, reconstruindo a vida vivida a cada instante, em milenares sabedorias atravessando milênios. Óbvio que no próprio texto de “O Banquete” de Platão & Sócrates há a recaída exemplar na baixaria alcoólica do belo Bofe Alcebíades. Cena atualíssima da relação do amante-amado, quando carregado de ódio e amor.

Recriei o “Banquete” em verso, que leva cada discurso como Cantadas, no sentido que damos popularmente à esta bela palavra. O criolo-português, o brazyleiro, é uma língua muito rica, em que cantar quer dizer também paquerar, e poder é phoder. Nesta língua amorosa phalada com ph reescrevi, sem modéstia, muito inspirado, este texto. Sempre pesquiso a relação amante–amado como base do saber e da prática teatral. Considero “Fedro”, outro diálogo de Sócrates & Platão um dos livros mais importantes para a sabedoria dada a quem quer atuar.
O Ator é o amante do público e do outro ator com quem contracena que são seus amados. Projeta sobre eles suas fantasias, e os vê como deuses. Se o público e o ator com quem contracenam se vêem pelos olhos do amado, tornam-se amantes também e a viagem da Orgya Teatral Mágica realiza-se.

Lacan, no seu Simpósio nº 8, todo dedicado ao “Banquete”, estranha como este texto pode ter atravessado gerações e gerações de inquisidores, monges fundamentalistas cristãos, e ter chegado até nós. Como separavam corpo de alma, davam a célebre interpretação do “amor platônico”, um amor onde não entra o corpo considerando a cena em que Sócrates, personagem que vou ter o prazer de fazer, recusa-se a transar com o belo e rico Alcebíades, como um exemplo de que Sócrates somente queria o amor espiritual e não carnal de Alcebíades.
Eu sempre desconfiei desta interpretação que vinha nas notas das traduções da editora de ouro. Estudando agora em mim os meus 72 anos de vida amorosa, e desde “Bacantes” a mitologia, filosofia, teatro, poética grega, fica claro que os gregos acreditavam como eu acredito que o Amor chamado platônico vem de uma ligação entre o amor mortal e o imortal, entre a divindade, o mistério da natureza, e o nosso amor carnal. O Amor carnal em si não é nada se não baixa a alma elétrica virada corpo tântrico. Parece às vezes mesmo que o Amor neste sentido é só possível entre poetas, na foda dos estetas. Mas todos que se apaixonam conhecem este amor eletricidade, sugado pelo cristianismo até transformar-se numa caricatura do amor rheal, numa “cara”, numa representação do amor.

O “Banquete” acima de tudo virou um Banquete onde é servido com vinho o amor, o diálogo amoroso, nesta época de inflação de monólogos de falso amor, de auto-ajuda, para se manterem as coisas como estão, isto é, caminhando para devastação ecológica da espécie naturalmente amorosa, humana.
Platão tem um lado terrível, em sua República expulsa os poetas, mas contraditoriamente apaixonou-se por outro dialético chato – Sócrates, que quando ouvia o Canto das Cigarras recebia seu Daimon e era tomado por Eros – apaixonava-se e phalava de amor como ninguém. Nas “Bacantes” já Semelle, a mortal, apaixonada por Zeus, o seduz para amá-la como uma deusa, na sua forma de Zeus, desejando misturar o amor mortal ao imortal e paga com a vida, dando à luz Dionísios. Foi a primeira mártir deste perigoso amor, que com o tempo foi transmutando-se na prática tântrica, e na redescoberta hoje nesta nossa mudança de Era.
É um sentimento que está na melhor música popular, poesia de nosso tempo, e que estende-se assim à toda sociedade na Guerra do Amor para impedir que a Guerra da Devastação Atômica, os Crimes contra o Meio Ambiente, a Sofística da especulação financeira, o instinto de morte, liquide o planeta e todas suas espécies.

Começamos a peça com Marcelo Drummond nos trajes de “Bacantes” na frente do espaço vizinho ao nosso onde queremos erguer um Estádio de Teatro para realizar Dionisíacas. Marcelo faz AHGATÃO, saindo vitorioso de uma Dionisíaca no Estádio vizinho ao Teatro Oficina sua casa, onde oferece um Banquete a Aristófanes (Sylvia Prado), o maior comediante de teatro de Estádio de todos os tempos, a Erixímaco (Rodrigo Andreolli), um Curandeiro do Amor celebridade da Grécia, antiga, e Pausânias (Mariano Mattos), um célebre Corega – patrocinador de Coros do Teatro Grego, a Diótima, alter ego de Sócrates feiticeira, Xamã, (Camila Mota corifeando sua Corte de Mulheres do Banquete), as cantoras Cellia Nascimento, Letícia Coura, as bacantes Patrícia Winceski, Ana Abott, o Olimpo todo, Zeus (com o ator cubano, o célebre astrólogo de São Paulo, Hector Othon) e Hera (Fabiana Serroni), Apolo (Márcio Teles), Hefaísto (Acauã Sol), Jesus Cristo, Fedro (Lucas Weglinski) – o primeiro grande criador da escrita na Grécia e rapaz muito belo amado e inspirador de Sócrates, o Muso dos Musos. Sócrates (Zé Celso) e AriscoDemo (Ageboh Cyrille), o ator africano de Camarões, discípulo fascinado de Sócrates a quem devemos a existência deste texto, pois ele foi contar tudo a Apolodorus que recontou por sua vez a Platão que o transformou em escrita. Pênia (Naomy Scholling) incorporará a penetra, a bicona, que vai fazer Maria Madalena Puta mendiga que vinda do Bairro do Bixiga, bate nas portas do Oficina para pedir esmola das sobras do banquete encontra Jesus dormindo e faz nele um filho, Eros, que nasce ao mesmo tempo que Afrodita. As entidades referidas no texto de Platão ganham vida no Banquete como se convidados pegassem os santos de Hesíodo, Homero, Aquiles, Pátroclo, Hektor, Alceste, Ésquilo etc…
Agatão convidou tambem Orfeu, (Rodrigo Jubelini) com seu violão que fazia o dia nascer, o Ator Músico Adriano Salhab tocador de rabeca, guitarra, o Dytirambista Percurssionista que traz no nome sua divindade rítmica; Icto Ito Alves e o músico novaiorkino Brad tocando Clarinete, Flauta e Baixo Acústico. O DJ Gava. Os cybers Cassandra Melo, Jair Sanchez Molina, Renato Banti. Cida, a camareira. Cris Cortílio, Carila Matzenbacher, na direção de arte, Elisete Jeremias e Rafael Girardello na direção de cena.Tommy Pietra nos pluga no Site com o Mundo e talvez com a possibilidade de transmissão pela internet desta Noite de São João que sabemos será inesquecível.

Dia 24 foi escolhido por ser a noite mais longa do ano, o Natal na Terra no Hemisfério Sul. Por ser aniversário de dois irmãos meus: o arquiteto João Batista e o Artista da Arte Musical do teatro Brasileiro Luís Antonio Martinez Corrêa, e sobretudo por ser noite de São João, Xangô Menino, quando vai nascer o deus do amor, cantado em toda peça: Eros.

Um dia na ONU houve um fato histórico, sintoma desta Era em que já entramos quando, nos rituais fúnebres da morte do nosso deus da diplomacía, Sérgio Vieira de Mello, em que o então Ministro da Cultura Gilberto Gil, pediu a Kofi Anaan que cessassem os discursos e que ele fosse para o Tambor. Um momentio nada utópico, porque aconteceu, e revela que as conversações entre diferentes, sempre carregadas de ameaças, retaliações, punições, reveladoras do instinto de Morte, superando o da Vida, levando à Guerra, ao Extermínio da espécie e do meio Ambiente, não é uma condenação, um castigo da Humanidade.

Estamos mais que próximos vivendo a possibilidade da humanidade encontrar-se inspirada em Eros o deus do Amor. Os que votaram em Lula, em Obama, aceitando, desejando a mudança de Eras, as multidões do Iraque lutando para desfundamentalizar a vida, os índios do Peru reconquistando suas terras quase tomadas pelo presidente do Peru, os que fizeram os segredos do Senado virem à tona, o procurador Protógenes, já nestes dias praticam este “Banquete” que eu chamaria hoje de “O Banquete de Pratão” pela Era Antropofágica que testemunhamos neste 2009.




Escrito por Sábia srta Almodovariana às 16h25
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"É preciso sentir nas vísceras o incômodo de se expor, o perigo do salto triplo. Se não fosse assim, circo não tinha graça."




Escrito por Sábia srta Almodovariana às 17h57
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"Importante é tentar ser feliz, seja com uma pessoa, um cachorro ou uma coleção de selos. A vida já é uma jornada dura."

(Woody Allen, na Serafina da Folha)




Escrito por Sábia srta Almodovariana às 15h43
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Retomando a vida de blogueira...

Há 10 anos (1999)
1. terminei meu TCC da faculdade de cinema
2. voltei a fazer aulas de dança no Nova Dança
3. estava noiva, mas não prá casar
4. morava com meus pais

Há 5 anos (2004)
1. saí da casa dos meus pais para me tornar uma 'mulher independente'
2. trabalhava em uma grande empresa e tinha uma carreira de executiva promissora pela frente
3. estava solteiríssima e solta na buraquêra
4. voltava às aulas de teatro

Há dois anos (2007)
1. corria 2x por semana no parque e aos sábados na USP
2. estreei a peça Medeia e montei o Auto da Compadecida
3. coloquei aparelho ortodôntico
4. comecei a namorar o homem mais fofo do mundo

Há um ano
1. terminei o curso profissionalizante de ator
2. fui demitida de uma empresa onde trabalhava com carteira assinada
3. parei de tomar cerveja toda semana
4. comecei uma dieta saudável

Ontem
1. finalizei minha parte no trabalho escrito (em grupo) de gestão de MKT
2. tomei caldo verde na hora do almoço
3. fiz bolo de fubá a noite
4. tive crise criativa pra finalizar mais dois trabalhos do MBA

Hoje
1. lavei louça de manhãzinha e quase congelei minha mão
2. comi o bolo de fubá que fiz ontem
3. fiz as unhas das mãos e dos pés
4. terminei um dos dois trabalhos do MBA

Amanhã eu vou
1. retocar as luzes do meu cabelo na hora do almoço
2. decorar as falas para a cena que tenho que apresentar na oficina sábado
3. trabalhar no escritório...
4. assistir aula do MBA no campus da vl. olímpia, pq não posso ir + as 5ªs na Paulista

Cinco coisas sem as quais não posso viver
1. palco
2. música
3. minha família
4. livros
5. internet

Cinco coisas que eu compraria com R$1.000,00
1. um netbook simplinho
2. uma câmera fotográfica mais bacanuda
3. passagem e estadia (4 dias) pro sul da Bahia
4. curso de clown com os doutores da alegria
5. um aparelho de dvd novo e umas caixinhas tipos home theatre

Cinco maus hábitos
1. detonar o cantinho dos meus dedões da mão
2. preguiça
3. perder a auto-motivação, as vezes
4. magoar pessoas que gosto
5. cinismo (sometimes)

Cinco programas de TV favoritos
1. lost
2. programas de babás, tipos super-nanny
3. cqc
4. pânico (sim, ainda dou risada com eles)
5. programa silvio santos (forever!)

Três coisas que me assustam
1. barata
2. escuro
3. a morte

Três coisas que estou vestindo neste momento
1. calça jeans (raro momento)
2. camiseta curta em cima de camiseta comprida
3. tênis adidas marrom e vermelho

Quatro das minhas bandas favoritas
1. radiohead
2. los hermanos
3. cake
4. nação zumbi

Três coisas que eu realmente quero agora
1. inspiração pra finalizar o último trabalho de gestão de MKT
2. ser chamada pra trabalhar em uma cia de teatro em troca de um salário
3. que minha cota seja sorteada no consórcio do carro que pago desde o séc. XVI

Três lugares onde quero ir de férias
1. ny
2. barcelona
3. paris (voo sp-paris, que isso fique bem claro)




Escrito por Sábia srta Almodovariana às 17h21
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Cena 4

 

Personagens:

Mulher velha e Homem velho

 

Uma rua. Um latão de lixo.

 

Homem velho

Puta vestida de velha.

 

Mulher Velha

O que você tá procurando?

 

Homem velho

Comida

 

Mulher Velha

Já faz mais de dez anos que não nos vemos.

 

Homem velho

Tô com fome.

 

Mulher Velha

Você não vai me dizer nada?

 

Homem velho

Puta.

 

Mulher Velha

Você não vai me dizer nada?

 

Homem velho

Puta.  Puta.  Puta. Vai embora. Tô com fome.

 

Pausa. O homem velho mete metade do corpo no latão e afunda nos sacos de lixo.

 

Mulher Velha

Só tenho uns vinte minutos. Porque fecham o asilo às nove. Alguém me disse que você estava aqui. E hoje, enfim, decidi sair para procurar você. Dez anos é muito tempo, mas você não mudou nada. Oito e meia, já são oito e meia. Estou andando já faz mais de cinco horas. Porque saí depois de comer. E estive dando voltas e mais voltas. Não conheço essas ruas e nem esse bairro. E olha que é o centro da cidade. Me disseram que você estava aqui. Já sei que você dorme na rua. Que seu lençol é um jornal. Faz dez anos que sei, e hoje, por fim, me decidi. Na verdade, não sei porque. Ou se sei, não sei.

 

Homem velho

Uma sardinha!

 

Mulher Velha

Você não me dá pena.

 

Homem velho

Três sardinhas.




Escrito por Sábia srta Almodovariana às 17h13
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O homem velho tira do latão um saco que acabou de rasgar. Se senta no chão e tira do saco umas latas de sardinha abertas

 

Mulher Velha

Você não me dá pena.

 

Homem velho

Vai embora puta vai embora são minhas.

 

Mulher Velha

Não quero comer.

 

Homem velho

Vagabunda vagabundaça sei quem você é sei quem você é.

 

Mulher Velha

Você sabe quem eu sou.

 

Homem velho

Sim: puta vestida de velha: um policial disfarçado . Não não não! Não corte meu canelo quero ficar aqui não me leve não quero me lavar vou peidar não limpa o meu cocô gosto da merda seca assim minha bunda não tem frio as sardinhas são minhas!

 

Mulher Velha

Por que não vem comigo para o asilo?

 

Homem velho

Minha bundinha não quer frio merda cocô quer cocô.

 

Mulher Velha

Por que não vem comigo para o asilo?

 

Homem velho

Minha irmã irmãzinha vivia num asilo.

 

Mulher Velha

Sua irmã

 

Homem velho

Puta vestida de velha.

 

Pausa.

 

Mulher Velha

Tenho que ir.

 

Homem velho

Sardinha. Sardinhazinha. Sardinhazinha bonita. A gostosa sardinha.

 

Mulher Velha

Vem comigo.

 

Homem velho

Puaf asco porcaria tenho sede que salgada que salgada!

 

Joga uma sardinha na cara da Mulher velha.

 

Mulher Velha

Ai. O que você ta fazendo?

 

Homem velho

Sardinhazinhas salgadas para as putas velhas tenho fome tenho sede.

 

O Homem velho volta a mexer no latão de lixo.

 

Mulher Velha

E se for a última vez que a gente se vê? Você é forte, está louco. Os loucos são fortes, fortes demais para morrer antes do tempo. Eu estou doente e sou mais velha que você. Não muito, mas sou, só três anos, mas são anos. Agora são, mas antes... o que eram três anos para nós? Nada. A gente se entendia. Sempre nos entendemos, nos entendíamos... antes... principalmente antes... Quando apagavam a luz do nosso quarto, nós falávamos em vos baixa, cochichávamos e morríamos de rir, nos entendíamos. Não tínhamos medo, confessávamos tudo um ao outro.




Escrito por Sábia srta Almodovariana às 17h12
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Homem velho

Frango frito!

 

Mulher Velha

Não tente me dar pena.

 

Homem velho

Um frango frito inteiro!

 

Pega outro saco de lixo já rasgado.Tira dele uns ossos de galinha. Se senta no chão. Em volta dele, restos.

 

Mulher Velha

Não tente me dar pena.

 

Homem velho

Franguinho frito um peito e uma asinha. Não vou te dar puta velha caminhoneira.

 

Mulher Velha

Não quero comer, não tenho fome.

 

Ele come. Ela o observa, se agacha e senta-se ao seu lado. Ele a olha surpreendido.

 

Homem velho

A senhora mão é um policial.

 

Mulher Velha

Não.

 

Homem velho

É uma velha.

 

Mulher Velha

Sou.

 

Homem velho

Uma velha que já foi jovem.

 

Mulher Velha

É.

 

Homem velho

A senhora é boa?

 

Mulher Velha

Sou.

 

Homem velho

Então posso dizer um segredo segredinho.

 

Mulher Velha

Pode.

 

Ele mostra a mão e aponta um anel.

 

Homem velho

Gosta?

 

Mulher Velha

Gosto.

 

Homem velho

Eu tinha uma mulher.

 

Mulher Velha

Eu sei.

 

Homem velho

A senhora não sabe de nada.

 

Mulher Velha

Vem para o asilo.

 

Homem velho

Uma mulher minha minha.

 

Mulher Velha

Sua mulher.

 

Homem velho

Morreu.

 

Mulher Velha

Já faz tanto tempo.

 

Homem velho

Me deixou.

 

Mulher Velha

Vem para o asilo.

 

Homem velho

Me deixou.

 

Mulher Velha

Já faz muito tempo.

 

Homem velho

Me deixou antes de morrer.

 

Mulher Velha

Não é verdade.

 

Homem velho

A gente vivia junto.




Escrito por Sábia srta Almodovariana às 17h06
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Mulher Velha

O que você tá comendo?

 

Homem velho

A gente se via pouco.

 

Mulher Velha

Não fale tanto.

 

Homem velho

Minha mulher tinha uma namorada. (Ri baixo)

 

Mulher Velha

Vem para o asilo.

 

Homem velho

Que frango mais gostoso.

 

Mulher Velha

Eu sou boa.

 

Homem velho

Era eu quem cozinhava

 

Mulher Velha

Estou morrendo.

 

Homem velho

Minha irmã.

 

Mulher Velha

Dez anos sem te ver.

 

Homem velho

E enquanto eu cozinhava...

 

Mulher Velha

Me perdoa.

 

Homem velho

Minha mulher tinha uma namorada: minha irmã.

 

Silêncio.

 

Mulher Velha

Estou com fome. (Ele dá a ela um osso de galinha... Comem. Olhares perdidos.)

 

Pausa. Ela se levanta com dificuldade.

 

Mulher Velha

Quinze. Quinze para as nove. O asilo fecha às nove. Você não quer vir comigo. Eu vou.

 

Homem velho

Puta vestida de velha. Você está morrendo.

 

Ele solta uma grande gargalhada.




Escrito por Sábia srta Almodovariana às 17h01
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Epílogo

 

...Toca a campainha da porta. A Mulher se levanta e anda em direção a porta. Olha pelo olho mágico. Sorri e abre.

 

Homem jovem

Boa Noite

 

Mulher

Entra, entra. Desculpa a bagunça.

 

Homem jovem

Se a senhora pudesse me fazer um favor...

 

Mulher

Claro que sim, imagina... Quer sentar?

 

Homem jovem

Não, não, é um segundo.

 

Mulher

Como você preferir... O senhor é quem saber...

 

Homem jovem

Poderia encher esse copinho de azeite de oliva, por favor? Amanhã eu devolvo, sem falta.

 

Mulher

Com muito prazer, com muito prazer, e não precisa me devolver nada.

 

Homem jovem

Muito obrigado.

 

Mulher

Espera qui que... oh, mas... mas... oh... o que aconteceu com o seu rosto?

 

Homem jovem

Não, não é nada.

 

Mulher

Está machucado?

 

Homem jovem

Não, não, nada, não é nada.

 

Mulher

Ai. Ai. Sente-se, sente-se, por favor... Foi na escada, não é verdade? Você caiu na escada? Foi isso? Que horror. Espera só um segundo, vem aqui comigo, senta aqui, fica calmo, pode ficar tranqüilo, tranqüilo.

 

A Mulher vai até um móvel e pega algodão e água oxigenada.

 

Mulher

Aqui, senta aqui. Não tenha medo. Não precisa se preocupar. Eu te curarei como se fosse sua mãe. Melhor ainda.

 

Lentamente, com muita delicadeza, a Mulher passa um algodão molhado na água oxigenada no rosto do Homem jovem. Em silêncio. Ele olha a Mulher e se deixa curar por ela. Ela lhe seca cuidadosamente as gotas de água oxigenada com o algodão seco. Ele relaxa e sorri. Ela lhe acaricia suavemente o cabelo. Ele pega a mão dela em sinal de agradecimento. Ela lhe beija a testa. Ele lhe beija a mão. Se olham nos olhos. (Dois seres estranhos parecem se encontrar.) O ar se torna cálido e sensual. As notas que estavam na mesa caem no chão.




Escrito por Sábia srta Almodovariana às 17h57
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Será possível?

Estou pensando em migrar meu blógue do UOL para outa 'hospedaria'. Mas gostaria de conseguir passar todos os posts. Será possível?




Escrito por Sábia srta Almodovariana às 10h55
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Da série 'músicas da minha vida'...




Escrito por Sábia srta Almodovariana às 16h24
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Sei que a muito não passo por aqui. Por mil motivos: uma súbita demissão do meu trampo corporativo, uma crise de 'dezembrite'*, um trampo novo meio que não muito certo, o céu cinza de São Paulo, o computador com vírus, a falta de uma cadeira confortável para me acomodar na frente do meu PC e a falta de inspiração para escrever alguma coisa com um conteúdo que realmente valesse a pena.

Mas o Sol volta a aparecer e sinto que logo estarei de volta e com bastante inspiração, apesar do pouco tempo livre para sentar na frente do computador e escrever. Mas tenho escrito coisas na minha agenda nova, e isso já é muito bom.

Agora tb tenho um scanner em casa. Na verdade acabei de comprar hj na hora do almoço uma tal de "multifuncional" e isso me lembra os tempos em que eu tinha um outro blógue: eu scanneava todos os ingressos de shows, peças e filmes que eu ia ver, postava a imagem dos ingressos e escrevia coisas bem bacanas.

Bom, that's all... por enquanto, para começar um ano promissor. O ano dos meus 33 anos, de realizações profissionais e pessoais, SE DEUS QUISER (e ele há de querer!).

*A dezembrite tem sintomas que são comuns a todos os enfermos, outros que variam de caso para caso. Uma forma leve de depressão, que faz com que uma típica irritabilidade e um banzo indefinido tornem os dias mais arrastados e o atrito com a superfície do relógio mais intenso. Uma repentina falta de saco inicia-se lá pela última sexta-feira de novembro, paralisa a todos e tem como compensação uma compulsão à idéia de compras, presentes, lembranças, etc.
Alguns dos contaminados apresentam reações autoimunes bastante perigosas. Por exemplo, há uma alergia aguda a qualquer som que apresente o timbre de uma harpa paraguaia. A combinação de notas musicais que venha a compor qualquer coisa parecida com "hoje a noite é bela" traz tremores involuntários, sudorese e, em certos casos, queda de cabelo -- de resto, também verificada por origem mecânica, pela ação de mãos em fúria pela inutilidade de levá-las aos ouvidos.
Sininhos, imitações de neve feitas de qualquer material, garrafas que se assemelhem à de champanha, de espumante, de Cidra Sereser, tudo isso provoca reações semelhantes. Com isso, há uma queda brutal de produtividade, o país, já em crise crônica, sofre com o choque surdo, apenas disfarçado pela explosão do consumo de presentes, espécie de Prozac da dezembrite.
Qual a solução? Não há. Pensei em propor ao parlamento, ao Lula ou ao Renato Aragão -- o rei das criancinhas pobres do mundo -- que se dividisse o país em 12 e cada grupo resultante dessa divisão comemorasse seus Natais em um mês do ano. Desisti: se uma das causas da dezembrite é o barulho, a doença se tornaria uma epidemia crônica, com um Natal permanente, mesmo que segmentado. Outra idéia, mais radical, seria espalhar boatos sobre o Papai Noel. Não seria difícil fazer pespegar-lhe a suspeita de pedofilia ou mesmo de zoofilia, com aquelas bundas de rena balançando à sua frente o tempo todo. Considerando o número de chaminés pelo planeta, quem negaria que o outrora bom velhinho estaria vendendo preferências, cobrando propina de famílias mais abastadas para visitá-las com hora marcada? "Papai Noel desceu exatamente à meia-noite pela chaminé dos Melo Peixoto da Silveira Dantas", espalhariam os agentes bem treinados pelos heróicos detratores do insistente Nicolau. Mais simples e mais barato seria distribuir adesivos para carro com os dizeres "Natal é coisa de viado". Mas a chance de um justo processo por discriminação afastaria os eventuais patrocinadores.
Como se vê, dezembrite é como dente do siso. É inexorável, e arrancar dói. Portanto, resta procurar alguma resignação. A idéia era dormir no dia 21, domingo, e colocar o despertador para as 7 da manhã do dia 5 de janeiro.
(by dito assim parece à toa)




Escrito por Sábia srta Almodovariana às 17h32
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Alessandro Marba em "Boca de Ouro" - dez/08 - foto: Adriano

Não Deixe o Samba Morrer
Composição: Edson Conceição e Aloísio

Quando eu não puder pisar
Mais na avenida
Quando as minhas pernas
Não puderem agüentar
Levar meu corpo
Junto com meu samba
O meu anel de bamba
Entrego a quem mereça usar

Eu vou ficar
No meio do povo espiando
Minha escola perdendo ou ganhando
Mais um carnaval

Antes de me despedir
Deixo ao sambista mais novo
O meu pedido final

Não deixe o samba morrer
Não deixe o samba acabar
O morro foi feito de samba
De samba pra gente sambar...




Escrito por Sábia srta Almodovariana às 23h34
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Like Jack Bauer...

Dia 08/12 - 2ª feira

17:25 - No escritório. Itaim Bibi. Bolsa e mochila arrumados.
17:28 - Troca os sapatos por um par mais confortável, que pemita a 'corrida', caso esta seja necessária. Envia e-mail para o chefe avisando que precisa sair mais cedo meia hora, pois tem um 'compromisso' em Sta Cecília, e saindo às 18 não chegará a tempo.
17:30 - Desliga o computador e sai de fininho, já que o chefe está entretido em uma reunião com um outro chefe.
17:32 - Entra no elevador
17:42 - Toma o ôbibus 'Pça da Bandeira'. Percurso todo de pé. Mochila, bolsa e revista na mão. Ninguém se prontifica a ajudar.
18:00 - Chega ao metrô Anhangabaú. Calor. Transpira.
18:12 - Desembarca na estação Marechal Deodoro. Corre.
18:32 - Chega ao teatro. Transpira e sente muita sede.
18:45 - Finaliza a maquiagem.
18:48 - O amigo ajuda com as purpurinas.
18:58 - Pisa no palco pronta, respira fundo, agradece a Deus, a Ogum e São Jorge e a Baco.
19:12 - Começa a peça. A 1ª sessão.

Per Ludum. Per Jocum.




Escrito por Sábia srta Almodovariana às 16h52
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"Se te lembras bem de Capitu menina, hás de reconhecer que uma estava dentro da outra, como a fruta dentro da casca..."




Escrito por Sábia srta Almodovariana às 15h13
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Capitu e Beirut

Além da qualidade visual muita gente está vibrando com o trailer vazado de Capitu por ter Beirut na trilha sonora. A música é realmente sensacional mas acho legal contar que o trailer realmente não é oficial da Globo, foi feito Marcio Hashimoto, montador da série, que provavelmente colocou músicas que gosta.

Pode ser que a série use músicas atuais (vide o fone de iPod sendo usado em uma cena) mas pode ser que não role Beirut. Quem beber, verá.

Quem linka é Cris Dias.




Escrito por Sábia srta Almodovariana às 14h11
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Capitu é arte, tv e cinema





Escrito por Sábia srta Almodovariana às 17h34
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Seqüência interessante nas previsões do meu horóscopo...

4ª feira passada
Del 5 de Noviembre de 2008
La reciente finalización de uno o más de tus largas metas puede hacer que te detengas hoy y consideres que quieres hacer de aquí en más. No tengas miedo de ser más ambiciosa que antes porque has adquirido un poder interno que te proporciona mayor confianza en ti misma. Es la creencia en nuestro propio valor lo que nos otorga la fe para mover montañas. ¡No te sorprendas si, durante los próximos meses, te encuentras moviendo unas cuantas!

5ª feira passada
Del 6 de Noviembre de 2008
Algunos acontecimientos de tu vida tanto personal como pública podrían darte un nuevo e inesperado sentimiento de poder sobre tu propio destino. Quizás tu esfuerzo en el trabajo se vea recompensado con logros en tu carrera y financieros. El apoyo y aliento de tus amigos y familiares probablemente te estimule hacia mayores logros, especialmente en áreas donde sea necesario el liderazgo. Si sabes aprovechar estas habilidades ahora, es posible que esta tendencia continué.

6ª feira passada
Del 7 de Noviembre de 2008
Las charlas con los demás puede resultar en nuevos planes y oportunidades para que progreses en cualquier nivel que desees -carrera, finanzas, social. Ciertos recursos internos que no sabías que poseías pueden salir a la luz. Puede que quizás también decidas hacer uso de habilidades creativas que han estado dormidas por algún tiempo. Durante los próximos dos meses debes pensar cuidadosamente. Te surgirán tantas ideas que será imposible intentar usarlas a todas. 

2ª feira (ontem)
Del 10 de Noviembre de 2008
Las circunstancias de tu vida pueden haber cambiado tanto en los últimos meses que podrías estar en una realidad completamente distinta a la conocida. El éxito y la buena fortuna han aumentado tu autoestima, y te debe ir muy bien en los negocios y el dinero. Hoy debes hacer una pausa para tomarte algún tiempo para evaluar tu situación y decidir el rumbo que deseas tomar. Ahora tienes en tus manos el poder de convertir tus sueños en realidad.

HOJE
Del 11 de Noviembre de 2008
Progresos recientes en tu carrera pueden hacerte dudar con respecto a qué hacer a continuación. Podrías considerar tomarte algún tiempo de licencia para viajar, o quizás continuar con tus estudios. No eres de los que les gusta dormirse en los laureles,. Para ti es importante intentar alcanzar nuevos horizontes, y hoy es el día perfecto para considerar qué horizontes son los más importantes para ti. Sin embargo, es importante que estés seguro. Por eso, no te apresures.




Escrito por Sábia srta Almodovariana às 16h20
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