
Sei que a muito não passo por aqui. Por mil motivos: uma súbita demissão do meu trampo corporativo, uma crise de 'dezembrite'*, um trampo novo meio que não muito certo, o céu cinza de São Paulo, o computador com vírus, a falta de uma cadeira confortável para me acomodar na frente do meu PC e a falta de inspiração para escrever alguma coisa com um conteúdo que realmente valesse a pena.
Mas o Sol volta a aparecer e sinto que logo estarei de volta e com bastante inspiração, apesar do pouco tempo livre para sentar na frente do computador e escrever. Mas tenho escrito coisas na minha agenda nova, e isso já é muito bom.
Agora tb tenho um scanner em casa. Na verdade acabei de comprar hj na hora do almoço uma tal de "multifuncional" e isso me lembra os tempos em que eu tinha um outro blógue: eu scanneava todos os ingressos de shows, peças e filmes que eu ia ver, postava a imagem dos ingressos e escrevia coisas bem bacanas.
Bom, that's all... por enquanto, para começar um ano promissor. O ano dos meus 33 anos, de realizações profissionais e pessoais, SE DEUS QUISER (e ele há de querer!).
*A dezembrite tem sintomas que são comuns a todos os enfermos, outros que variam de caso para caso. Uma forma leve de depressão, que faz com que uma típica irritabilidade e um banzo indefinido tornem os dias mais arrastados e o atrito com a superfície do relógio mais intenso. Uma repentina falta de saco inicia-se lá pela última sexta-feira de novembro, paralisa a todos e tem como compensação uma compulsão à idéia de compras, presentes, lembranças, etc. Alguns dos contaminados apresentam reações autoimunes bastante perigosas. Por exemplo, há uma alergia aguda a qualquer som que apresente o timbre de uma harpa paraguaia. A combinação de notas musicais que venha a compor qualquer coisa parecida com "hoje a noite é bela" traz tremores involuntários, sudorese e, em certos casos, queda de cabelo -- de resto, também verificada por origem mecânica, pela ação de mãos em fúria pela inutilidade de levá-las aos ouvidos. Sininhos, imitações de neve feitas de qualquer material, garrafas que se assemelhem à de champanha, de espumante, de Cidra Sereser, tudo isso provoca reações semelhantes. Com isso, há uma queda brutal de produtividade, o país, já em crise crônica, sofre com o choque surdo, apenas disfarçado pela explosão do consumo de presentes, espécie de Prozac da dezembrite. Qual a solução? Não há. Pensei em propor ao parlamento, ao Lula ou ao Renato Aragão -- o rei das criancinhas pobres do mundo -- que se dividisse o país em 12 e cada grupo resultante dessa divisão comemorasse seus Natais em um mês do ano. Desisti: se uma das causas da dezembrite é o barulho, a doença se tornaria uma epidemia crônica, com um Natal permanente, mesmo que segmentado. Outra idéia, mais radical, seria espalhar boatos sobre o Papai Noel. Não seria difícil fazer pespegar-lhe a suspeita de pedofilia ou mesmo de zoofilia, com aquelas bundas de rena balançando à sua frente o tempo todo. Considerando o número de chaminés pelo planeta, quem negaria que o outrora bom velhinho estaria vendendo preferências, cobrando propina de famílias mais abastadas para visitá-las com hora marcada? "Papai Noel desceu exatamente à meia-noite pela chaminé dos Melo Peixoto da Silveira Dantas", espalhariam os agentes bem treinados pelos heróicos detratores do insistente Nicolau. Mais simples e mais barato seria distribuir adesivos para carro com os dizeres "Natal é coisa de viado". Mas a chance de um justo processo por discriminação afastaria os eventuais patrocinadores. Como se vê, dezembrite é como dente do siso. É inexorável, e arrancar dói. Portanto, resta procurar alguma resignação. A idéia era dormir no dia 21, domingo, e colocar o despertador para as 7 da manhã do dia 5 de janeiro. (by dito assim parece à toa)
Escrito por Sábia srta Almodovariana às 17h32
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