Epílogo ...Toca a campainha da porta. A Mulher se levanta e anda em direção a porta. Olha pelo olho mágico. Sorri e abre. Homem jovem Boa Noite Mulher Entra, entra. Desculpa a bagunça. Homem jovem Se a senhora pudesse me fazer um favor... Mulher Claro que sim, imagina... Quer sentar? Homem jovem Não, não, é um segundo. Mulher Como você preferir... O senhor é quem saber... Homem jovem Poderia encher esse copinho de azeite de oliva, por favor? Amanhã eu devolvo, sem falta. Mulher Com muito prazer, com muito prazer, e não precisa me devolver nada. Homem jovem Muito obrigado. Mulher Espera qui que... oh, mas... mas... oh... o que aconteceu com o seu rosto? Homem jovem Não, não é nada. Mulher Está machucado? Homem jovem Não, não, nada, não é nada. Mulher Ai. Ai. Sente-se, sente-se, por favor... Foi na escada, não é verdade? Você caiu na escada? Foi isso? Que horror. Espera só um segundo, vem aqui comigo, senta aqui, fica calmo, pode ficar tranqüilo, tranqüilo. A Mulher vai até um móvel e pega algodão e água oxigenada. Mulher Aqui, senta aqui. Não tenha medo. Não precisa se preocupar. Eu te curarei como se fosse sua mãe. Melhor ainda. Lentamente, com muita delicadeza, a Mulher passa um algodão molhado na água oxigenada no rosto do Homem jovem. Em silêncio. Ele olha a Mulher e se deixa curar por ela. Ela lhe seca cuidadosamente as gotas de água oxigenada com o algodão seco. Ele relaxa e sorri. Ela lhe acaricia suavemente o cabelo. Ele pega a mão dela em sinal de agradecimento. Ela lhe beija a testa. Ele lhe beija a mão. Se olham nos olhos. (Dois seres estranhos parecem se encontrar.) O ar se torna cálido e sensual. As notas que estavam na mesa caem no chão.
Escrito por Sábia srta Almodovariana às 17h57
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