... Justine ...
Partindo de um estudo profundo da obra do marquês de Sade, e de um resgate crítico das montagens de "A Filosofia na Alcova" e "Os 120 Dias de Sodoma", Os Satyros se propuseram a realizar a montagem de "Justine", concluindo, assim, a Trilogia Libertina. Para a realização de "Justine", a companhia trabalhou por mais de nove meses com uma equipe de mais de trinta pessoas, dentro dos procedimentos críticos do chamado Teatro Veloz, método de trabalho desenvolvido pela companhia, em todas as etapas do processo criativo, resultando na montagem atual.
Justine, personagem constante nos textos de Marquês de Sade, é a personificação do puritanismo, dos bons modos e da caridade, sendo caracterizada pela ingenuidade perante a sociedade cruel e depravada, retratada por Sade em suas obras. Justine é a contraposição de Juliette, irmã e antagonista da história, que se envolve em depravações, crimes e perversões. Nas palavras de Contador Borges, poeta, ensaísta e tradutor de "A Filosofia na Alcova" no Brasil, “Os Satyros mais uma vez têm a ousadia de encarar Sade de frente. Primeiro veio a concepção cênica de "A Filosofia na Alcova" e suas sucessivas belas montagens, desde os anos noventa até hoje. Em seguida o evento não menos audacioso de verter para o palco as aberrações fantásticas de "Os 120 dias de Sodoma". Agora é a vez de "Justine". Enfim, suspiramos, a vítima têm a chance de mostrar a que veio, que o seu não de recusa é no fundo um dispositivo para a afirmação do libertino, adepto cego dos prazeres triunfais do individuo”. (http://satyros.uol.com.br/noticia.asp?id_destaque=20) 
Preste atenção: ...na brincadeira de mãos entre as irmãs Justine e Juliette (Andressa Cabral e Erika Forlim). É muito pertinente a apropriação de um jogo infantil para dar leveza à narrativa da gênese das personagens. ...no criado (Robson Catalunha), que "testa" a virgindade de Juliette quando ela pede abrigo num bordel. Concebido e interpretado de forma não realista, entre o grotesco e o cômico, é figura de aparição relâmpago, mas inesquecível. ...na "fila" que se forma no cabaré, com a entrada em atividade da "virgem" Juliette. No bordel, seu olhar será atraído pelas cenas que ocorrem numa cabine vermelha, mas não deixe de observar essa "fila". É um dos bons momentos, entre outros, como nas cenas de julgamento, em que o "coro" torna-se extremamente expressivo graças à criatividade com que se estrutura sua atuação. ...no nome do patrão sovina de Justine, clara citação de Sade ao protagonista Harpagon da peça O Avarento, de Molière. Referência que não passou despercebida ao diretor e aos atores. Em todas as cenas do casal de sovinas, a linguagem, dos figurinos às interpretações, remete à estética à Commedia Dell"Arte, fonte de inspiração de Molière. ...no recurso simples, uma touca de pano, cuja utilização resulta num interessante efeito para expressar a forma como Justine é obrigada a de desdobrar para dar conta do trabalho excessivo na casa do patrão sovina. ...no uso de um recurso do 'cinema mudo', resultando em um tom de comicidade e humor ingênuo, para alcançar um resultado cortantemente irônico.
Escrito por Sábia srta Almodovariana às 18h05
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Final de Semana para 'beber θέατρο'
Vou começar por ontem, domingo, dia 28, porque está mais fresquinho... Sem muitas programações (e quase sem ao mesmo ir, pq bateu uma preguicinha de final de tarde de inverno) chegamos, eu e o Fábio, ao Teatro Oficina, por volta das 18:30... A peça começaria as 19 horas, mas como já conheço o esquema, sempre tem um atrasinho. Estávamos empolgados (apesar do frio, vencemos a preguiça), pois no dia anterior assistimos "Justine", d'Os Satyros, e queríamos experimentar a sensação de um dia assistir a uma peça d'Os Satyros e em menos de 24 horas, assistir a uma peça do Oficina. Ingressos na mão e iríamos conseguir o feito: nos embebedar de teatro, ou θέατρο. Evoé Baco!!! EvoEros!!! ~~~~~ 
(José Celso Martinez Corrêa - Notas de direção, de produção e divulgação – 19 de junho de 2009) A Montagem de “O Banquete” de Sócrates & Platão vem da necessidade de apreendermos com os antigos a superar a abstração do diálogo público em nossos encontros, assembléías políticas, artísticas, em plena agonia histórica, camuflada numa linguagem fundamentalista burocrática tipo “a nível de”, “questão de ordem”, “Vossa Excelência”, etc…, sempre carregadas de ressentimento, reclamação, chororô, competições, egolatrias. Na noite da festa dos 50 anos do Oficina o vinho foi servido fartamente mas depois de algum tempo muitos virados vinho-avinagrado encapacitaram-se para ouvir, música, versos das peças, fechando-se nun narcisismo boçal bêbado. Senti que tínhamos de aprender como os gregos conseguiam em seus banquetes, entregarem-se aos prazeres do encontro, com amor erótico pela conversa, beleza soando verdade poética, bebendo o vinho sagrado de Dionisios, com sensualidade, delicadeza, reconstruindo a vida vivida a cada instante, em milenares sabedorias atravessando milênios. Óbvio que no próprio texto de “O Banquete” de Platão & Sócrates há a recaída exemplar na baixaria alcoólica do belo Bofe Alcebíades. Cena atualíssima da relação do amante-amado, quando carregado de ódio e amor. Recriei o “Banquete” em verso, que leva cada discurso como Cantadas, no sentido que damos popularmente à esta bela palavra. O criolo-português, o brazyleiro, é uma língua muito rica, em que cantar quer dizer também paquerar, e poder é phoder. Nesta língua amorosa phalada com ph reescrevi, sem modéstia, muito inspirado, este texto. Sempre pesquiso a relação amante–amado como base do saber e da prática teatral. Considero “Fedro”, outro diálogo de Sócrates & Platão um dos livros mais importantes para a sabedoria dada a quem quer atuar. O Ator é o amante do público e do outro ator com quem contracena que são seus amados. Projeta sobre eles suas fantasias, e os vê como deuses. Se o público e o ator com quem contracenam se vêem pelos olhos do amado, tornam-se amantes também e a viagem da Orgya Teatral Mágica realiza-se. Lacan, no seu Simpósio nº 8, todo dedicado ao “Banquete”, estranha como este texto pode ter atravessado gerações e gerações de inquisidores, monges fundamentalistas cristãos, e ter chegado até nós. Como separavam corpo de alma, davam a célebre interpretação do “amor platônico”, um amor onde não entra o corpo considerando a cena em que Sócrates, personagem que vou ter o prazer de fazer, recusa-se a transar com o belo e rico Alcebíades, como um exemplo de que Sócrates somente queria o amor espiritual e não carnal de Alcebíades. Eu sempre desconfiei desta interpretação que vinha nas notas das traduções da editora de ouro. Estudando agora em mim os meus 72 anos de vida amorosa, e desde “Bacantes” a mitologia, filosofia, teatro, poética grega, fica claro que os gregos acreditavam como eu acredito que o Amor chamado platônico vem de uma ligação entre o amor mortal e o imortal, entre a divindade, o mistério da natureza, e o nosso amor carnal. O Amor carnal em si não é nada se não baixa a alma elétrica virada corpo tântrico. Parece às vezes mesmo que o Amor neste sentido é só possível entre poetas, na foda dos estetas. Mas todos que se apaixonam conhecem este amor eletricidade, sugado pelo cristianismo até transformar-se numa caricatura do amor rheal, numa “cara”, numa representação do amor. O “Banquete” acima de tudo virou um Banquete onde é servido com vinho o amor, o diálogo amoroso, nesta época de inflação de monólogos de falso amor, de auto-ajuda, para se manterem as coisas como estão, isto é, caminhando para devastação ecológica da espécie naturalmente amorosa, humana. Platão tem um lado terrível, em sua República expulsa os poetas, mas contraditoriamente apaixonou-se por outro dialético chato – Sócrates, que quando ouvia o Canto das Cigarras recebia seu Daimon e era tomado por Eros – apaixonava-se e phalava de amor como ninguém. Nas “Bacantes” já Semelle, a mortal, apaixonada por Zeus, o seduz para amá-la como uma deusa, na sua forma de Zeus, desejando misturar o amor mortal ao imortal e paga com a vida, dando à luz Dionísios. Foi a primeira mártir deste perigoso amor, que com o tempo foi transmutando-se na prática tântrica, e na redescoberta hoje nesta nossa mudança de Era. É um sentimento que está na melhor música popular, poesia de nosso tempo, e que estende-se assim à toda sociedade na Guerra do Amor para impedir que a Guerra da Devastação Atômica, os Crimes contra o Meio Ambiente, a Sofística da especulação financeira, o instinto de morte, liquide o planeta e todas suas espécies. Começamos a peça com Marcelo Drummond nos trajes de “Bacantes” na frente do espaço vizinho ao nosso onde queremos erguer um Estádio de Teatro para realizar Dionisíacas. Marcelo faz AHGATÃO, saindo vitorioso de uma Dionisíaca no Estádio vizinho ao Teatro Oficina sua casa, onde oferece um Banquete a Aristófanes (Sylvia Prado), o maior comediante de teatro de Estádio de todos os tempos, a Erixímaco (Rodrigo Andreolli), um Curandeiro do Amor celebridade da Grécia, antiga, e Pausânias (Mariano Mattos), um célebre Corega – patrocinador de Coros do Teatro Grego, a Diótima, alter ego de Sócrates feiticeira, Xamã, (Camila Mota corifeando sua Corte de Mulheres do Banquete), as cantoras Cellia Nascimento, Letícia Coura, as bacantes Patrícia Winceski, Ana Abott, o Olimpo todo, Zeus (com o ator cubano, o célebre astrólogo de São Paulo, Hector Othon) e Hera (Fabiana Serroni), Apolo (Márcio Teles), Hefaísto (Acauã Sol), Jesus Cristo, Fedro (Lucas Weglinski) – o primeiro grande criador da escrita na Grécia e rapaz muito belo amado e inspirador de Sócrates, o Muso dos Musos. Sócrates (Zé Celso) e AriscoDemo (Ageboh Cyrille), o ator africano de Camarões, discípulo fascinado de Sócrates a quem devemos a existência deste texto, pois ele foi contar tudo a Apolodorus que recontou por sua vez a Platão que o transformou em escrita. Pênia (Naomy Scholling) incorporará a penetra, a bicona, que vai fazer Maria Madalena Puta mendiga que vinda do Bairro do Bixiga, bate nas portas do Oficina para pedir esmola das sobras do banquete encontra Jesus dormindo e faz nele um filho, Eros, que nasce ao mesmo tempo que Afrodita. As entidades referidas no texto de Platão ganham vida no Banquete como se convidados pegassem os santos de Hesíodo, Homero, Aquiles, Pátroclo, Hektor, Alceste, Ésquilo etc… Agatão convidou tambem Orfeu, (Rodrigo Jubelini) com seu violão que fazia o dia nascer, o Ator Músico Adriano Salhab tocador de rabeca, guitarra, o Dytirambista Percurssionista que traz no nome sua divindade rítmica; Icto Ito Alves e o músico novaiorkino Brad tocando Clarinete, Flauta e Baixo Acústico. O DJ Gava. Os cybers Cassandra Melo, Jair Sanchez Molina, Renato Banti. Cida, a camareira. Cris Cortílio, Carila Matzenbacher, na direção de arte, Elisete Jeremias e Rafael Girardello na direção de cena.Tommy Pietra nos pluga no Site com o Mundo e talvez com a possibilidade de transmissão pela internet desta Noite de São João que sabemos será inesquecível. Dia 24 foi escolhido por ser a noite mais longa do ano, o Natal na Terra no Hemisfério Sul. Por ser aniversário de dois irmãos meus: o arquiteto João Batista e o Artista da Arte Musical do teatro Brasileiro Luís Antonio Martinez Corrêa, e sobretudo por ser noite de São João, Xangô Menino, quando vai nascer o deus do amor, cantado em toda peça: Eros. Um dia na ONU houve um fato histórico, sintoma desta Era em que já entramos quando, nos rituais fúnebres da morte do nosso deus da diplomacía, Sérgio Vieira de Mello, em que o então Ministro da Cultura Gilberto Gil, pediu a Kofi Anaan que cessassem os discursos e que ele fosse para o Tambor. Um momentio nada utópico, porque aconteceu, e revela que as conversações entre diferentes, sempre carregadas de ameaças, retaliações, punições, reveladoras do instinto de Morte, superando o da Vida, levando à Guerra, ao Extermínio da espécie e do meio Ambiente, não é uma condenação, um castigo da Humanidade. Estamos mais que próximos vivendo a possibilidade da humanidade encontrar-se inspirada em Eros o deus do Amor. Os que votaram em Lula, em Obama, aceitando, desejando a mudança de Eras, as multidões do Iraque lutando para desfundamentalizar a vida, os índios do Peru reconquistando suas terras quase tomadas pelo presidente do Peru, os que fizeram os segredos do Senado virem à tona, o procurador Protógenes, já nestes dias praticam este “Banquete” que eu chamaria hoje de “O Banquete de Pratão” pela Era Antropofágica que testemunhamos neste 2009.
Escrito por Sábia srta Almodovariana às 16h25
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